Por Águas Calmas

Veemente Misan,
O naufrágio poderia (poderá?) ser tema feliz, ainda que naufragar, ainda que e apenas se sobrevivendo, deixe marcas.
Como bem apontais, é o afogamento de uma esperança, de um projecto, de um troço do percurso. Que tendo sido o próprio a escolher ou a acalentar, a ele retorna seja qual fôr o formato final, incluindo o naufragar. Até aqui, estamos de acordo.
Indaguei pelo merecimento, sim. E não sendo apenas optimista, esta é a minha escolha.
A superação, a resiliência, a batalha à adversidade.
Por isso, ah, e entendendo deveras bem o que advogais acerca das marcas que ficam e do terrível da segunda (ou da terceira, ou da quarta) oportunidade, reiterava que uma possibilidade (que não a única, mas eventualmente a mais difícil) de olhar o naufrágio é vê-lo de outro modo.
E pode ser ambas as coisas, catalisador dos potenciais de cada um (que só em situações de verdadeira crise se revelam) e castigo auto-inflingido porque aquela, como outra, foi a escolha do próprio. Não há senão escolhas – pretender esquivar-se ou abster-se, é uma escolha. Mas o imergir no castigo pode, não apenas manter o próprio num circuito de sofrimento, como manietar os salvadores gestos de nadar e emergir.
E se me foi sair de Disappointed Love de Francis Danby e ver o Apocalypse, o Vosso The Shipwreck (The Wreck of the Hope) e o Sujet Apocalyptique - pelo que muito Vos agradeço a referência - solicito que clarifiqueis o sentido do "«naufrágio» de D. Joux"...
Temos de agir no sentido de configurar «destino à vista»? O que se vê, o que se delineia, é-o.
Ademais, com destino à vista estaríamos perto de chegar? E se estas são lucubrações imprecisas... céus! o que serão se tiverem precisão? Veemência, delas se exala.
Amanhã, prometeria contar-Vos de um livro que hoje comecei a ler, chamado «O último reino» (de Bernard Cornwell), mas dizei-me se o conheceis ou se vale a divagação, poupando o insucesso de descobrir que é literatura que não faz o Vosso estilo.
Sorrindo, e com Votos de boa Aurora,
Lady Traveller
(Imagem: Francis Danby, The Avon Gorge from Clifton Down near Bristol, 1815)

1 Comments:
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