Quarta-feira, Maio 10, 2006

Duro. E Puro?

Senhora:
Tenho pensado na Vossa confessada leitura e na prioridade por Vós estabelecida em vista à procura da identidade. Da visão da lei como geradora dos compromissos é, evidentemente, o contrário do que um homem de tudo ou nada precisa
para se encontrar. Desde logo porque é feita não à sua medida, mas para estabelecer uma medida. E, para uma natureza que se demande à sua revelia, menos que Tudo é sempre igual a nada. O dever identificador como membro da comunidade repousa na capacidade que a acha respectiva evidencie. Daí que a transferência e escolha entre Alfredo e os Dinamarqueses não devesse ser uma perda de pertença, já que era apenas antecipação de fusões posteriores, auxiliadas pelos grandes meios do massacre e da procriação. Os dramas do predomínio da herança ou do indivíduo parecem muito mais visão contemporânea do que foi a Alta Idade Média do que correspondência real ao que se sabe ter sido. Sobretudo era época em que a divisão interior de lealdades pouco existia. A decisão tomada de integrar a horda ou aderir aos que tentavam refreá-la era a boa, qualquer que fosse o lado para onde se inclinasse.
O dilema e a angústia, ai, são de hoje. Porque mesmo comparando os casos das duas épocas em que a irreversibilidade impere, in illo tempore não se procurava desculpas nem se encontrava lamentos. Esses são de um tempo deleitado com a humanidade em que se pretende reconhecer, mas assombrado pela inerente fraqueza. Somos nós. É pegar ou largar. Ou sorrir, como prefiro.
Inclino-me perante o Vosso Repto.

Thrope