Quarta-feira, Maio 03, 2006

Contra as Vagas

Mylady Lutadora:
Sublinhais a luta contra a adversidade que pode conduzir, pela resistência, à superação. É bem possível em naturezas fortes; e mais do que estimável, só que duvido da sua universalidade. Em muitos náufragos o esforço resume-se a tentarem ser vistos e recolhidos, canalizando toda a sua aplicação para patéticas sinalefas de desespero. Não creio que seja dessa imagem de fraqueza que fazeis o panegírico...
E outros há que lutam e triunfam... apenas para chegar a uma ilha deserta e lamentarem não ter acabado pasto dos tubarões. Senhora, até para se ser náufrago é preciso ter sorte!
Contudo, homenageando o inconformado espírito da Vossa Eleição, incluo o náufrago (Segismundo) da autoria de Agostino di Duccio. Só, no meio das alterosas circunstâncias, mas remando, lutando pois.
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Entretando pedis que esclareça da inclusão da obra de Daniel Joux. Poder-se-ia dizer que o mar em que nos acidentámos é coisa demasiado grande para que não nos submergisse e suficientemente pequena para poder ficar atravesada na nossa garganta, numa tranquilidade opressiva cujo perdurar empurra toda a angústia e desilusão para causas imediatas do nosso comportamento exterior.

Contai-me de B. Cornwell o que entenderdes, que a minha ignorância do mesmo é absoluta e o que conta é que Vós o acheis digno da Vossa atenção. Quem ou aquilo que o for não pode ser desinteressante.
Tendes-me suspenso nas Vossas palavras.